Das coisas não escritas que doem na alma

2 de abril de 2020

Eu estava prestes a escrever um texto triste, mas você me chamou pra ver um filme. Eu ia falar sobre como eu ando dispersa, sem vontade de fazer nada que não seja para o meu próprio proveito apenas, sobre como meu individualismo anda exacerbado já faz algum tempo, sobre como talvez eu não seja uma boa companheira, filha, amiga ou qualquer outro papel social que eu deveria desempenhar. E a verdade é que talvez eu seja tudo isso mesmo, talvez eu realmente seja um pouco individualista demais, um pouco desapegada demais, um pouco alheia ao mundo demais. Eu ia escrever sobre como não tem sido fácil conciliar essas verdades sobre mim mesma com os sentimentos que tenho pelas pessoas que amo, sobre como é complicado querer abraçar o mundo e cuidar de todos ao mesmo tempo em que eu necessito me isolar e não olhar na cara de ninguém por horas. Sobre como essas contradições fazem parte de quem eu sou, e como isso tem me trazido sofrimento ultimamente mas que, eventualmente, me trará crescimento. A verdade é que eu não sei se a vida que eu levo agora é a vida que eu quero, mas sendo esta a vida que eu tenho, talvez caiba aproveitar o máximo antes que termine. Afinal, o dia do amanhã a gente não sabe ─ se hoje sou individualista, talvez amanhã não seja; se hoje estou ao teu lado, talvez amanhã não esteja. O importante é aproveitar o amor que tenho para dar e receber no agora. Eu estava prestes a escrever sobre tudo isso, mas você me chamou pra ver um filme. E aí eu não escrevi.

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