Aproveite o dia, escolha seu destino

11 de abril de 2020


Escrevo este post após terminar de assistir A Sun, um filme taiwanês da Netflix lançado em 2019 e que concorreu a alguns prêmios em festivais de filmes. A produção pertence ao gênero drama familiar, com o qual eu não estou muito familiarizada (ba-dum-tsss), mas que me fez sentir coisas e, por isso, resolvi trazer essa “indicação” aqui.

A trama começa quando o filho mais novo da família, A-Ho, é mandado para um reformatório após ter decepado a mão de um outro rapaz junto com outro colega. Inicialmente, ele pega uma sentença de 3 anos, com a possibilidade de diminuição da pena por bom comportamento. Enquanto isso, uma mãe e uma menina batem à porta da casa da família, dizendo que a menina está grávida e A-Ho é o pai da criança. O pai da família é um instrutor em uma autoescola e o filho mais velho é o orgulho da família que estuda medicina na faculdade.

Como se já não fosse o suficiente, a família encontra ainda mais tragédias ao decorrer do longa-metragem, o que me fez quase abandonar o filme no meio do caminho por conta da carga emocional de tudo aquilo. Senti uma dose de realismo que me fez lembrar de como a vida fora das telas pode sim ser bem ruim, e como família é algo extremamente complexo.

A segunda metade do filme ocorre mais ou menos quando A-Ho é liberado do reformatório e começa a trabalhar para tentar ajeitar sua vida e cuidar do seu filho. As coisas começam a ir bem, o que me fez pensar que, talvez, o filme trouxesse algum alívio neste momento, até que o colega de A-Ho (que esteve junto na execução do crime) o encontra e começa a complicar sua vida novamente. A partir daí, eu comecei a ficar angustiada, não por causa do que acontecia de fato na tela, mas pela sensação de que aquele pesadelo nunca iria acabar e que a família jamais seria capaz de seguir em frente em relação aos problemas do passado.

Não foi um filme fácil de assistir, pois senti tudo muito intensamente. O final do filme me deixou uma sensação de extrema satisfação, embora não seja exatamente o que dá pra chamar de final feliz. Por se tratar de um drama familiar, há uma ênfase muito grande na maneira que os integrantes da família lidam com o próprio drama, com sentimentos de culpa, raiva, luto, entre outros, e como isso refletia nas relações entre si.

Família é um negócio difícil. Quando coisas ruins acontecem, lidar com tudo pode ser mais difícil ainda. Mas, mesmo no meio das tempestades, é possível ver crescimento, e isso é simplesmente lindo.


* “Aproveite o dia, escolha seu destino” é o lema da autoescola na qual o pai da família trabalha. Ele é repetido diversas vezes durante o filme, tendo um significado relativamente importante para a trama e, principalmente, para as ações do pai.

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